Segue video ilustrativo:
Para
prover melhores chances de recuperação, menores incisões, conforto para
os pacientes e recuperação mais rápida relacionada à anestesia, a
gastrectomia vertical é, atualmente, é a técnica de cirurgia bariátrica e
metabólica mais segura e com o índice de mortalidade próximo a zero. O
procedimento é irreversível e reduz em dois terços o tamanho do
estômago, ou seja, se o órgão normal tem cerca de dois litros e, após a
cirurgia, sua capacidade fica em torno de 200 ml a 300 ml. Apesar de o
fundo do estômago ser retirado, a técnica mantém todas as suas conexões
nervosas originais deixando-o com aspecto tubular, que segue do esôfago
ao duodeno.
Segundo o cirurgião do aparelho
digestivo do Hospital 9 de Julho, Dr. Almino Cardoso Ramos, apesar do
caminho seguido pelos alimentos não ser alterado, o mecanismo de
saciedade é otimizado, pois a cirurgia provoca alterações no sistema
neuro-hormonal. "Sem o fundo do estômago, não há produção de grelina, o
hormônio responsável pela fome. Dessa forma, o paciente sente-se mais
saciado e altera o seu hábito alimentar, com o aumento do intervalo
entre as refeições", explica.
Um dos benefícios dessa cirurgia é que
não há desvio intestinal, impedindo falhas na absorção de alimentos de
modo que o paciente não necessita de suplementação alimentar para o
resto da vida, como ocorria com procedimentos mais antigos. "Não devemos
aceitar os efeitos negativos da cirurgia bariátrica como se fossem
normais", afirma Dr. Almino. As vantagens da gastrectomia vertical é que
os pacientes ficam menos tempo internados - cerca de dois dias -, e a
dieta não tem tantas restrições.
O médico explica ainda que a cirurgia
bariátrica não deve ser o primeiro tratamento da obesidade. "É
importante que os pacientes saibam que a cirurgia é uma solução que vem
depois de vários tratamentos para readequação do peso e que, para
realizá-la, é preciso comprovar um histórico de pelo menos dois anos de
obesidade mórbida", esclarece.
Para descobrir quando a intervenção
cirúrgica é necessária, o principal indicador é o IMC - Índice de Massa
Corporal do paciente, que corresponde ao peso em quilogramas dividido
pela altura, em metros, elevada ao quadrado. Se o resultado dessa conta
for maior que 35, associado às comorbidades, há recomendação para o
procedimento. "Cada caso deve ser avaliado individualmente para
definição da melhor técnica cirúrgica. A preparação para a cirurgia pode
levar de três a seis meses para o paciente perder peso, fazer
fisioterapia e controlar a diabetes e a hipertensão. Isso, além de
auxiliar na relação entre médico e paciente, reduz o risco da operação, a
ponto de torná-la extremamente segura", comenta o Dr. Almino.
Perda de peso deve ser gradual para não
sobrecarregar o organismo - Com a cirurgia bariátrica, o objetivo é que
o paciente perca peso de forma gradual, ao longo de um ano e meio a
dois anos depois da cirurgia. Por isso, a cada três meses é feita uma
"bateria" de exames para acompanhar possíveis doenças sanguíneas, como
anemia, por exemplo. "Em termos de adaptação, a capacidade do estômago
vai até o segundo ano depois da cirurgia. Se, nesse tempo, não houver
ganho de peso, provavelmente isso não ocorra mais tarde. "É preciso que
haja conscientização e monitoramento, para que o paciente não volte a
engordar", alerta o médico.
Segundo dados da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - SBCBM, 10% dos pacientes começam a
engordar novamente depois de três anos. "Isso não é somente uma
cirurgia, mas um tratamento, que envolve acompanhamento nutricional e
atividade física. O objetivo não é tão somente a perda de peso, mas o
tratamento das doenças relacionadas", conclui. Com a cirurgia é possível
perder, em média, de 30% a 40% do excesso do peso no primeiro ano e, o
restante, nos anos seguintes. Além disso, na técnica mais tradicional,
os obesos que passam por uma cirurgia bariátrica necessitam de
orientação nutricional permanente para suplementar a dieta e evitar
casos de desnutrição.
O apoio psicológico é fundamental para
tratar a causa - Fatores psicológicos relacionados com a vida moderna
fazem com que as pessoas tenham menos tempo para praticar atividades
físicas. Com isso, muita gente acaba "descarregando" suas preocupações e
tristezas comendo demais. O papel do psicólogo é extremamente
importante, pois as pessoas com alto grau de obesidade compartilham de
alguns fatores sócio-emocionais. De acordo com o histórico do paciente, o
profissional consegue avaliar se o indivíduo está apto emocionalmente
para a cirurgia e auxiliá-lo quanto à compreensão de todos os aspectos
decorrentes do pré e pós-cirurgico. É importante ressaltar que o apoio
psicológico também evita o surgimento de outras doenças como anemia,
desnutrição, anorexia, bulimia e desnutrição, e trabalha o mecanismo da
compensação: em que a falta de comida pode gerar outras compulsões como,
por exemplo, alcoolismo, consumismo, uso e abuso de drogas, entre
outros.
Mudança de parâmetros
Os padrões internacionais para a
realização do procedimento cirúrgico foram estabelecidos por meio de
consenso em 1991, nos EUA e, nos últimos congressos, já vêm sendo
discutido sua revisão. A idéia é diminuir os critérios para a
intervenção cirúrgica na rede pública. Atualmente a cirurgia bariátrica
só é aprovada em pessoas com o IMC acima de 35 com comorbidades, mas há
discussões considerando baixar esse índice, visando basicamente o
tratamento da diabetes, pois já há comprovação de que a evolução é boa,
com recuperação em torno de 85 a 90%.
Tipos de procedimentos e segurança na
anestesia - Desenvolvidas em 1952, as cirurgias bariátricas e
metabólicas permitem resgatar a qualidade e dar mais tempo de vida às
pessoas, promovendo o controle adequado do peso e que a saúde da pessoa
seja restabelecida, principalmente com a melhora das patologias
associadas à obesidade como hipertensão arterial sistêmica, diabetes
mellitus, dislipidemia (colesterol e triglicerídeos alterados) e
osteoartrose.
Os procedimentos podem ser limitantes
da capacidade gástrica ou que interferem na digestão ou, ainda, uma
combinação de ambas as técnicas. Em termos de controle e resolução de
comorbidades, a cirurgia bariátrica reduz o diabetes (entre 85% e 90%),
pressão alta (entre 70% e 80%), apnéia do sono (80% e 85%), dislipidemia
(90%) e problemas ortopédicos (70%).
As técnicas disabsortivas causam uma
absorção incompleta do alimento como o desvio bilio-pancreático, com ou
sem derivação duodenal. Os procedimentos mais conhecidos são o balão
intragástrico, caracterizado pela colocação, por meio de endoscopia, de
uma prótese no interior do estômago, diminuindo a capacidade de ingestão
do paciente, e a gastroplastia com derivação em Y de Roux (Cirugia de
Fobi Capella), considerado o procedimento padrão ouro para cirurgia
bariátrica no Brasil, segundo a SBCBM.
Com relação do tipo, há a cirurgia
convencional, mais conhecida como cirurgia aberta, e a fechada, ou seja,
por laparoscopia. No primeiro caso há mais dor no pós-cirúrgico, a
incisão é maior e há um alto índice de hérnia na incisão. Já a cirurgia
laparoscópica é totalmente segura. Em função das pequenas incisões, a
dor pós-operatório é bem menor e a recuperação do paciente muito mais
rápida, possibilitando seu retorno às atividades rotineiras em curto
espaço de tempo. A diferença determinante dessas cirurgias é que o custo
da convencional é inferior à laparoscópica.
Um fator que vem modificando a
segurança dos procedimentos é a anestesia. Segundo o Dr. Almino Ramos,
atualmente ela é mais segura e rápida do que há vinte anos. "Hoje, temos
no mercado drogas de recuperação, que fazem com que o paciente, oito
horas após a cirurgia, já possa andar e se movimentar", explica.
Indicações para cirurgia
- comprovar que não é usuário de drogas ou alcoolismo;
- laudo psicológico ou psiquiátrico atestando que está preparado para submeter-se a uma cirurgia;
- tratamento multidisciplinar, que envolve cirurgião, endocrinologista, nutricionista e psicólogo;
- o monitoramente é feito em centros de
excelência, caso do Hospital 9 de Julho, no qual o cirurgião,
juntamente com o endocrinologista, decide sobre o procedimento utilizado
e sua necessidade;
- se o psicólogo achar que há
indicação, a pessoa é encaminhada por um psiquiatra, que atesta alguma
informação que não tenha ficado explícita.
Fonte: RMA
Autor: Imprensa
Revisão e Edição: André Lacasi
