segunda-feira, janeiro 23


A obesidade e suas peripécias

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Após muitos anos mantendo o meu peso na casa dos 60 Kg como eu havia citado antes, eu engravidei e engordei incríveis 40 Kg. No início, achei que iria conviver novamente com o excesso de peso, mas para minha surpresa, eu acabei retornando ao meu peso “quase normal” 3 meses depois. Mesmo eu ter voltado à casa dos 60 kg, para ser exata aos 67 Kg, eu queria mais, queria poder voltar a ser magrinha com o meu corpo de antes. Por incrível que pareça, por muitas vezes eu me sentia  gorda! Quanta bobagem... Se hoje eu estivesse com este peso seria minha felicidade completa. 
No ano de 2008 eu conheci o meu atual marido e foi uma paixão arrebatadora, tanto que dois meses depois havíamos nos casado. Não sei se relaxei na época, mas eu engordei uns 5 Kg nos primeiros meses de casada. Tentava voltar ao peso de origem, mas as coisas na minha vida estavam para mudar drasticamente, me fazendo engordar sem parar.

No primeiro ano de casamento tivemos muitos problemas financeiros, mudanças para pior como de moradia e de padrão de vida e no final deste um ano eu já havia engordado uns 10 Kg, mas sempre tentando emagrecer. Como citei anteriormente, julgo que comemos angustia e tristezas, pelo menos no meu caso, e estes sentimentos pesam muito.
Nesta época eu fazia faculdade de nutrição e o meu excesso de peso me fez desistir de completar a faculdade, pois para mim ficava difícil passar pelo julgamento de minhas colegas, principalmente se tratando do curso que eu estava fazendo, o que foi uma pena. Começaram também os julgamentos de toda a família e por muitas vezes tão cruéis que nem eu entendia como alguém tem a coragem de me julgar ou fazer piadinhas sem nem ao menos perguntar como eu estava me sentindo naquela situação.  Acho engraçado como o gordo é julgado como culpado, como fracassado, sendo que precisamos de apoio e ajuda e não de ofensas que nos deixam pior ainda. Continuando... Para tentar reverter nossa precária condição financeira, eu e meu marido resolvemos vender o nosso apartamento e mudarmos para São Paulo já que ele é de lá e as oportunidades na área a qual ele trabalha são maiores, fora pelo fato de ele conhecer muito melhor seu estado e as respectivas empresas do ramo. Não conseguia acreditar que no ano anterior nós levávamos uma vida financeira estável e acabamos assim, com muitas limitações e dividas. Meu marido tinha um cargo excelente em uma grande empresa de São Paulo havia 10 anos. Estava aqui no Rio Grande do Sul temporariamente e após retornaria a sua cidade, mas como havíamos nos conhecido, ele pediu demissão para ficarmos juntos e foi ai que nossa vida decaiu significativamente. Felizmente meu pai nos apoiou e ajudou com tudo que pode, não medindo esforços para que tivéssemos uma vida pelo menos não tão dura. Mas, A ida para São Paulo naquela situação seria o mais acertado a fazer.
Nós sempre apostamos no nosso amor e sempre passamos por todas as fazes muito unidos. Quando efetivamente vendemos o nosso apartamento e terminamos o planejamento de nossa viajem deixando tudo pronto, meu pai passa mal e é levado para o hospital por nós. Os médicos fizeram inúmeros exames e até foi cogitada a hipótese dele ter tido um derrame, pois o que tinha sido curioso era o fato dele não estar conseguindo falar corretamente, apesar de aparentemente estar bem. Foi então que através de uma tomografia foi achado um tumor cerebral e desde então nossos planos mais uma vez modificaram completamente.
Meu pai era nosso esteio, nosso chão, um amigo tão querido para meu marido, que saber de sua doença foi um baque incrível em nossas vidas. Decidimos a partir adiar a viajem e ficar para cuidar dele, o que não foi e não esta sendo fácil.
No ano de 2010, meu pai ficou 4 meses internado e foi submetido a 2 cirurgias, uma de ponte de safena e uma de craniotomia para retirada do tumor.  Através de uma  biopsia descobrimos que meu pai tinha um tumor cerebral maligno chamado glioblastoma multiforme, ou seja, a sentença de morte estava assinada, pelo menos era o que os médicos davam a entender. Moramos no hospital nestes  4 meses e nossas vidas se tornaram um caos total. Meu filho nesta época vivia sendo colocado em segundo plano e eu mesma era jogada para quinto plano, foi muito difícil para nós. Quando meu pai teve alta do hospital,  tinha convulsões, perda de memória e dificuldade de andar. Resolvemos nos dedicar completamente a cuidar dele, tanto que fomos morar em sua casa e planejar para nos mudarmos depois.
Todos os médicos que cuidaram e cuidam dele sempre falavam em expectativa de vida para no máximo 1 ano e que dificilmente ele iria passar disto, o que foi um choque para nós. Meu marido emagreceu ao ponto de ficar irreconhecível e eu rumei ao lado oposto engordei sem parar chegando aos 95 Kg. O tempo passou e meu pai entre melhoras e pioras sempre esteve conosco e esta expectativa de vida ficou de lado, pois ele passou por todas elas. 




95 KG
1 ano antes com 65 KG na faculdade de Nutrição





3 comentários:

Gomes disse...

VC é muito guerreira

Juliane disse...

Olá Gomes!!! Seja Bem-vindo ao meu blog!!! E obrigado pelo comentário...

Raquel Viana disse...

Vou tomar vc como exemplo.... Você é mto guerreira!

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